IX. TRANSTORNOS PSICOSSOMÁTICOS
Comecemos este estudo com o seguinte questionamento:
* As doenças são do corpo ou da alma?
* As suas características estão no corpo ou na alma?
Vemos, em "O Livro dos Espíritos", parte II, capítulo VII, que a matéria é apenas o invólucro do Espírito. Unindo-se ao corpo, o Espírito conserva os atributos de natureza espiritual; que o exercício das faculdades do Espírito depende dos órgãos que lhes servem de instrumento.
Voltando então à Genética, vemos que, no corpo físico, o Espírito encontrará o material genético de que necessita para cumprir a sua programação.
Ainda segundo "O Livro dos Espíritos": Encarnado, traz o Espírito certas pré-disposições. O princípio das faculdades está no Espírito e não nos órgãos. O desenvolvimento do órgão será o efeito e não a causa.
Nos casos em estudo - autismo, esquizofrenia, idiotia e loucura - suas almas são, não raro, mais inteligentes do que supomos. São Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por habitarem corpos cujos órgãos desmantelados os impedem de se manifestarem plenamente.
A alma tem o corpo de que precisa para sua missão na vida terrena. Pela vontade, o Espírito pode fazer mais, vencendo a natural resistência desse aparelho, como também pode fazer menos.
As enfermidades mentais são efeitos e não causas: "Tanto as distonias mentais quanto as doenças orgânicas expressam os resultados de ações desequilibradas do Espírito, cuja conduta negativa prejudica primeiramente o próprio autor, abrindo zonas mórbidas em seu psiquismo, refletindo-se no seu perispírito e registrando-se no corpo físico em reencarnações posteriores." (TRANSTORNOS MENTAIS, de Suely Caldas Schubert, Minas Editora, 4ª edição, abril/2003).
Idiotia e Loucura
Quem são os loucos e os idiotas?
Por que se apresentam assim em determinadas reencarnações?
Em "Memórias de Um Suicida", Dona Yvonne Pereira se refere a loucos no manicômio da Colônia Maria de Nazaré e nos explica:
"O manicômio recolhe individualidades cujo estado mental deprimido pelas repercussões originadas pelo suicídio lhes impossibilita a faculdade do raciocínio". (Página 246, cap. III, parte II).
"Não podem raciocinar como seria de desejar em um Espírito desencarnado... " (página 255).
"Aqui se encontram, em grande penúria moral, muitas entidades que foram homens ilustres na Terra, mas se esqueceram de que nem sempre a prática de abominações, de imoralidade e de atitudes egoísticas ficarão impunes... " (Página 256).
"Aqui se encontram os orgulhosos e sensuais que se embriagaram pelos prazeres carnais, à dissolução dos costumes, prejudicando a saúde do corpo, chegando ao túmulo antes da época prevista... " (Página 256).
"Suicidaram-se fria e indignamente, obcecados pelos vícios..." (Página 256).
"São verdadeiros débeis mentais, idiotas no plano espiritual, amesquinhados moral, mental e espiritualmente... " (Página 256).
"Reencarnarão dentro em breve. Levarão para o futuro corpo que moldarão com a configuração maculada com que presentemente se encontram." (Página 260).
"Tais como se encontram aqui (no manicômio) renascerão como cancerosos e paralíticos, débeis mentais e idiotas, nervosos, convulsos..." (Página 259).
Esquizofrenia
É uma doença crônica que atinge aproximadamente 60 milhões de pessoas do planeta (1% da população mundial), cujas causas não são completamente conhecidas. Sabe-se que há uma predisposição genética.
Num artigo, publicado na revista "Nature Genetics", vemos que pesquisadores americanos conseguiram as primeiras provas conclusivas de que a esquizofrenia está relacionada a defeitos genéticos. Foi encontrada uma região específica no genoma humano relacionado com tal doença. Os pesquisadores acreditam que um defeito no cromossomo 13 aumenta o risco de se manifestar à doença.
Entre gêmeos univitelinos, se um for esquizofrênico, o outro tem 50% de chances a ser também.
A explicação, para essa incidência, do ponto de vista doutrinário, seria: afinidade, necessidade de, por expiação ou provas, virem juntos e iguais.
Outra certeza que se tem é que os portadores da doença possuem um desequilíbrio bioquímico no cérebro, provocado, entre outras razões, por excesso de dopamina, substância que desencadeia processos alucinatórios quando produzida em grande quantidade, mas ainda não se descobriu (a medicina não descobriu!) se o desequilíbrio neuroquímico é causa ou conseqüência da doença.
Segundo Jung, "A investigação da esquizofrenia constitui uma das tarefas mais importantes da psiquiatria futura. O problema encerra dois aspectos:um fisiológico e um psicológico..."
Segundo o Compêndio de Psiquiatria: "A esquizofrenia é considerada como a mais devastadora das doenças mentais, porque seu início ocorre cedo na vida do paciente e seus sintomas podem ser destrutivos para ele, para sua família e amigos."
Aproximadamente 50% de todos os pacientes tentam o suicídio. O que leva a isto é a sensação de vazio absoluto, depressão, o desejo de escapar à tortura mental e por ouvir vozes que ordenam que o paciente se mate.
Vemos em "Evolução em Dois Mundos", de André Luiz pela psicografia de F.C.Xavier, que (...) "A mente transmite ao carro físico a que se ajusta, durante a encarnação, todos os seus estados felizes ou infelizes, equilibrando ou conturbando o ciclo de causa e efeito..."
Até o final do século XIX, a doença era conhecida como demência precoce, porque se manifesta, na maioria das vezes, no fim da adolescência (entre 15 e 15 anos nos homens e 25 e 35 nas mulheres).
O primeiro a usar o termo "esquizofrenia" foi o psiquiatra suíço Eugen Bleuler em 1911. A palavra vem do grego "skizo" (separação) e "phrenos" (espírito).
Sugerimos aqui a leitura do livro "Uma Mente Brilhante" (Editora Record) ou o filme com o mesmo nome, para nos esclarecer melhor sobre o que se passa com um esquizofrênico.
Para entendermos o aspecto doutrinário da questão, vejamos: no livro "Loucura e Obsessão", pelo Espírito Manuel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, cuja leitura recomendamos, entre outros casos, um de esquizofrenia e um de autismo, que são analisados do ponto de vista orgânico e do ponto de vista espiritual. No capítulo 4 desse livro, intitulado "o drama de Carlos", é apresentado o caso de um jovem portador de esquizofrenia catatônica, considerada incurável.
Segundo descrição da genitora, o rapaz fora criança boa, mas sempre triste, com síndromes de isolamento na puberdade, isolando-se dos amigos e tornando-se silencioso e diminuindo o rendimento escolar. Todo o quadro agravou-se com a morte do pai, chegando a deplorável situação.
Levado a buscar socorro espiritual, em uma casa onde se fazia esse atendimento, onde houve a colaboração do Dr. Bezerra de Menezes, que, auscultando-lhe os registros psíquicos, mergulhando nos arquivos perispirituais, confirmou o diagnóstico psiquiátrico. Remontou, então, à última encarnação de Carlos, quando a arbitrariedade e o despudor levaram-no ao desregramento e ao abuso da transitória autoridade de que desfrutava, perturbando a paz de muitas pessoas e abusando do sexo.
Reencarnado, manteve a consciência de culpa, autopunindo-se mediante perturbação na área da afetividade e outros conflitos durante a adolescência. Adicionando-se a autoreparação que a consciência endividada lhe impunha, alguns adversários espirituais se lhe vincularam como cobradores impenitentes.
Como temos dito, a dor e o sofrimento resultam dos acidentes comportamentais, quando o homem exorbita do livre-arbítrio e faz-se verdugo de si mesmo. Neste aspecto, aqui descrito, o primeiro tratamento é a desobsessão.
Haveria, no caso de Carlos, algum fator orgânico que respondesse pelo seu quadro esquizofrênico, além dos espirituais? Sem dúvida. A esquizofrenia é enfermidade muito complexa nos estudos de saúde mental, embora suas raízes profundas se encontrem no Espírito delinqüente.
A esquizofrenia se encontra no paciente, de forma latente, pois lhe é imposta desde antes da concepção fetal.
O Espírito culpado é o responsável pela alienação de que padece o corpo, sendo as suas causas atuais conseqüências diretas ou não do passado. "Somos herdeiros de nós mesmos".
As características essenciais desta doença são: alucinações auditivas, alucinações visuais, idéias delirantes súbitas, posturas bizarras, afeto embotado, perda dos limites do ego, mania de perseguição, desagregação do pensamento, dificuldade de atenção, de memória, agitação, falta de controle dos impulsos.
Segundo Jung, na esquizofrenia ocorre uma dissociação grave, uma cisão da personalidade.
Conforme Jorge Andréa, "na esquizofrenia, a sintomatologia mais comum consiste na redução do relacionamento interpessoal, com alucinações auditivas. Esses delírios são considerados originários nos próprios campos psíquicos do paciente, podendo existir também a possibilidade de autêntica fenomenologia mediúnica, associada por entidades desequilibradas em intercâmbio obsessivo".
Autismo
Vejamos o que nos diz o mesmo autor espiritual quanto ao autismo, no capítulo 7, Fenômeno Auto-Obsessivo: "Olhar parado, demonstrando a demência adiantada, os músculos em rigidez, a face pálida, a absoluta ausência do lugar onde se encontra - eis as características de um autismo já avançado".
"Trata-se de um processo de auto-obsessão, por abandono consciente da vida e dos interesses objetivos".
"Quando o indivíduo mantém intensa vida mental em ações criminosas, que oculta com habilidade, a duplicidade de comportamento faz-lhe cruel transtorno, que ele carpe silenciosamente. Em determinada oportunidade, esses erros irrompem como estados depressivos graves ou como complexos de culpa".
Reconduzidos à reencarnação, tais Espíritos refugiam-se na negação do que fizeram, imprimindo no corpo os limites do movimento, produzindo a prisão na qual se encastelam. A autopunição gera o quadro de resgate para o infrator da lei.
Muitos Espíritos buscam na alienação mental, através do autismo, fugir às suas vítimas e apagar lembranças que os acicatam, produzindo um mundo interior agitado ante uma exteriorização apática, quase sem vida.
"O perispírito imprime, automaticamente, nas delicadas engrenagens do cérebro e do sistema nervoso, o de que necessita para progredir: asas para a liberdade ou presídio para a reeducação".
Complementamos com a obra de H.C. de Miranda algumas informações sobre o autismo:
Autismo - desordem do desenvolvimento do funcionamento cerebral, acometendo dois a cinco indivíduos em cada dez mil.
O quadro clínico é marcado por um comportamento grave na interação social e da linguagem, verbal e não verbal, tendo início antes dos três anos de idade. O autismo é uma estranha síndrome do comportamento que compõe um aflitivo quadro de isolamento e alienação.
O autista nos faz imaginar uma pirâmide solitária, inabordável, fechada sobre si mesma, cercada de mistério. Em torno dela concentra-se inquieta multidão de pessoas interessadas na busca de acesso ao seu interior. Querem entrar para ver se conseguem convencer a pessoa que mora lá dentro a aceitar o modo em que vivemos "aqui fora".
Autista é aquele que vive em si mesmo, ou seja, isolado, sozinho, desligado do "nosso mundo". Não funciona no autista o conceito do "eu", ou seja, a consciência de si mesmo.
Segundo alguns estudos de Psicologia, a atitude assumida pelo autista seria atribuída a uma rejeição à sua própria encarnação. A pessoa que ali está, naquele corpo físico, recusa-se a executar qualquer programação que a leve a rotinas da vida material.
Tal síndrome pode ser conseqüência, em alguns casos, de doenças genéticas, ou malformações, ou de infecções no período intra-uterino.
Sejam quais forem os mecanismos materiais envolvidos na gênese do autismo, indubitavelmente, sua causa inicial está nas experiências pregressas e nas necessidades cármicas do Espírito reencarnante.
Bibliografia:
1. O LIVIRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, Edição FEB, 02/1994;
2. A LOUCURA SOB NOVO PRISMA, de Adolfo Bezerra de Menezes, Edição FEB;
3. LOUCURA E OBSESSÃO, de Divaldo P. Franco/Manuel P.de Miranda, Edição FEB;
4. AUTISMO, UMA LEITURA ESPIRITUAL, de Hermínio C.de Miranda, Publicadora La Châtre, 1a. edição;
5. EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, de André Luiz/F.C.Xavier, Cap. VIII;
6. TRANSTORNOS MENTAIS (Uma Leitura Espírita), de Suely Caldas Schubert, Minas Editora;
7. PSICOGÊNESE DAS DOENÇAS MENTAIS, de Care G. Jung, Editora Vozes.