XIII. HEREDITARIEDADE E VÍCIOS
Definição de Vício
- Defeito que torna uma pessoa imprópria para aquilo a que se destinava. Tendência para certo mal. Hábito prejudicial. (Dic. Aurëlio).
Vamos meditar sobre as seguintes questões:
* Onde se localiza o vício? - no corpo físico ou no Espírito?
* O vício é hereditário?
* Todo vício é tóxico?
TEXTOS DOUTRINÁRIOS:
Para nos elucidar, examinemos os seguintes textos da literatura Espírita:
Entre a Terra e o Céu
"O alcoólatra não adquire o hábito dos pais, mas já se confiava ao hábito antes de renascer. Há beberrões desencarnados que se aderem àqueles que se fazem instrumentos deles próprios". (Página 78).
A hereditariedade é dirigida por princípios espirituais. Se os filhos encontram os pais de que precisam, os pais recebem os filhos que procuram.
Os Missionários da Luz
"O vício oferece campo a perigosos gérmens psíquicos da esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleçam ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível.
Naturalmente, no campo da matéria mais grosseira, essa lei funciona com violência, enquanto, entre nós, se desenvolve com as modificações naturais. Aliás, não pode ser de outro modo... Cada viciação particular da personalidade produz as formas sombrias que lhe são conseqüentes, e estas, como as plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas, onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa". (Página 36).
O Problema do Ser, do Destino e da Dor
"(...) Semelhanças psíquicas entre pais e filhos explicam-se pela atração e simpatia; são Espíritos similares atraídos uns para os outros por inclinações análogas e que antigas relações uniram". (Página 248).
A Influenciação
L.E. 644 - Para certos homens, o meio onde se acham colocados não representa a causa primária de muitos vícios e crimes?
- Sim, mas ainda aí há uma prova que o Espírito escolheu, quando em liberdade, levado pelo desejo de expor-se à tentação para ter o mérito da resistência.
L.E. 645 - Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um arrastamento quase irresistível?
- Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto, mesmo dentro da atmosfera do vício, com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes.
L.E. 913 - Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?
- Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Dai deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.
L.E. 716 - Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?
- Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.
L.E. 459 - Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?
- Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.
L.E. 464 - Como distinguirmos se um pensamento sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?
- Estudai o caso. Os bons Espíritos só para o bem aconselham. Compete-vos discernir.
L.E. 465 - Com que fim os Espíritos imperfeitos nos induzem ao mal?
- Para que sofrais como eles sofrem.
L.E. 466 - Por que permite Deus que Espíritos nos excitem ao mal?
- Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a pôr em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. (...) Os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejes praticá-lo. Só quando queiras o mal, podem eles ajudar-te para a prática do mal. (...) Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que devamos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.
L.E. 467 - Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?
- Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.
L.E. 469 - Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos?
- Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança.
L.E. 470 - Os Espíritos, que ao mal procuram induzir-nos,... procedem desse modo cumprindo missão?
- A nenhum Espirito é dada a missão de praticar o mal. Aquele que o faz, fá-lo por conta própria, sujeitando-se às conseqüências.
Dependência química ou fraqueza moral?
Podemos entender o vício como uma dependência química ou psíquica.
As imperfeições morais do Espírito se refletem no corpo físico (Genética).
Para exemplificar:
* Alcoolismo ==> toxicomania ==> estado alterado da consciência.
* Provoca semi-liberdade do Perispírito.
* Fator genético: há no alcoólatra uma enzima alterada, que é o aldeído desidrogenase (lembrar que enzima é uma proteína e sempre para cada proteína há pelo menos um gen correspondente)
* Em um artigo sobre alcoólatras anônimos, lemos: "No alcoólatra, quem fica primeiro de pileque é a força de vontade".
Sabemos que a vontade é um dos atributos do Espírito.
Um dos métodos usados pela A.A.A. é o auto-conhecimento e a oração da serenidade: "Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras".
Nota: Já foram descobertos 3 gens relacionados ao hábito de fumar.
Conclusão: - "Somos herdeiros de nós mesmos"...
Se, pelo livre-arbítrio, desenvolvemos um hábito que se transforma em um vício, este se fixa em nosso Perispírito e teremos que nos livrar dele através das reencarnações. O corpo é o instrumento do Espírito. Através da Genética, o Espírito encontra no corpo o material para suas realizações (virtudes ou vícios).
AS DROGAS E SUAS IMPLICAÇÕES ESPIRITUAIS
(Artigo de Xerxes Pessoa de Luna, em Reformador de Março de 1998)
Introdução
Um dos problemas mais graves da sociedade humana, na atualidade, é o consumo indiscriminado, e cada vez mais crescente, das drogas, por parte não só dos adultos, mas, também, dos jovens e lamentavelmente até das crianças, principalmente nos centros urbanos das grandes cidades.
A situação é tão preocupante que cientistas de várias partes do Planeta, reunidos, chegaram à seguinte conclusão: "Os viciados em drogas de hoje podem não só estar pondo em risco seu próprio corpo e sua mente, mas fazendo uma espécie de roleta genética, ao projetar sombras sobre os seus filhos e netos ainda não nascidos".
Diante de tal flagelo e de suas terríveis conseqüências, não poderia o Espiritismo, Doutrina comprometida com o crescimento integral da criatura humana, na sua dimensão espírito-matéria, deixar de se associar àqueles segmentos da sociedade que trabalham pela preservação da vida e dos seus ideais superiores, em seus esforços de erradicação de tão terrível ameaça.
O efeito destruidor das drogas é tão intenso que extrapola os limites do organismo físico da criatura humana, alcançando e comprometendo, substancialmente, o equilíbrio e a própria saúde do seu corpo perispiritual. Tal situação, somada àquelas de natureza físiológica, psíquica e espiritual, principalmente as relacionadas com as vinculações a entidades desencarnadas em desalinho, respondem, indubitavelmente, pelos sofrimentos, enfermidades e desajustes emocionais e sociais a que vemos submetidos os viciados em drogas.
Em instantes tão preocupantes da caminhada evolutiva do ser humano em nosso planeta, cabe a nós espíritas, não só difundir as informações antidrogas que nos chegam do plano espiritual benfeitor que nos assiste, mas, acima de tudo, entender e atender aos apelos velados que estes amigos espirituais nos enviam com seus informes e relatos contrários ao uso indiscriminado das drogas, no sentido de envidarmos esforços mais concentrados e específicos no combate às drogas, quer no seu aspecto preventivo, quer no de assistência aos já atingidos pelo mal.
A Ação das Drogas no Perispírito
Revela-nos a ciência médica que a droga, ao penetrar no organismo físico do viciado, atinge o aparelho circulatório, o sangue, o sistema respiratório, o cérebro e as células, principalmente as neuroniais.
Na obra "Missionários da Luz" (André Luiz, pág.221, Edição FEB), lemos: "O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual". Em "Evolução em dois Mundos", o mesmo autor espiritual revela-nos que os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.
Comparando as informações destas obras com as da ciência médica, conclui-se que a agressão das drogas ao sangue e às células neuroniais também refletirá nas regiões correlatas do corpo perispiritual, em forma de lesões e deformaçõees consideráveis que, em alguns casos, podem chegar até a comprometer a própria aparência humana do perispírito. Tal violência concorre até mesmo para o surgimento de um acentuado desequilíbrio do Espírito, uma vez que o perispírito funciona, em relação a este, como uma espécie de filtro na dosagem e adaptação das energias espirituais junto ao corpo físico e vice-versa.
Por vezes, o consumo das drogas se faz tão excessivo, que as energias, oriundas do perispírito para o corpo físico, são bloqueadas no seu curso e retornam aos centros de força.
A Ação dos Espíritos Inferiores Junto ao Dependente Químico
Esta ação pode ser percebida através das alterações no comportamento do viciado, dos danos adicionais ao seu organismo perispiritual, já tão agredido pelas drogas, e das conseqüências futuras e penosas que experimentará quando estiver na condição de espírito desencarnado, vinculado a regiões espirituais inferiores.
Sabemos que, após a desencarnação, o Espírito guarda, por certo tempo, que pode ser longo ou curto, seus condicionamentos, tendências e vícios de encarnado. O Espírito de um viciado em drogas, por exemplo, em face do estado de dependência a que ainda se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e necessidade de consumir a droga. Somente a forma de satisfazer seu desejo é que irá variar, já que a condição de desencarnado não lhe permite proceder como quando na carne.
Como Espírito, precisará vincular-se à mente de um viciado, de início, para transmitir-lhe seus anseios de consumo da droga; posteriormente, para saciar sua necessidade, valendo-se para tal recurso ou da vampirização das emanações tóxicas impregnadas no perispírito do viciado ou da inalação dessas mesmas emanações quando a droga estiver sendo consumida.
Essa sobrecarga mental, indevida, afeta tão seriamente o cérebro, a ponto de este ter suas funções alteradas, com conseqüente queda no rendimento físico, intelectual e emocional do viciado. Segundo Emmanuel, "o viciado, ao alimentar o vício dessas entidades que a ele se apegam, para usufruir das mesmas inalações inebriantes, através de um processo de simbiose em níveis vibratórios, coleta em seu prejuizo as impregnações fluídicas maléficas daqueles, deixando o viciado enfermiço, triste, grosseiro, infeliz, preso à vontade de entidades inferiores, sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos".
Contribuição do Centro Espírita no Trabalho Antidrogas dos Benfeitores Espirituais
As Casas Espíritas, como pronto-socorro espirituais, muito podem contribuir com os Espíritos Superiores no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas nos dois lados da vida. Com certeza, esta contribuição poderia ocorrer através de medidas que, no dia-a-dia da instituição ensejassem:
a) Um incentivo cada vez mais constante às atividades de evangelização da infância e da juventude, principalmente com sua implantação, caso a Instituição ainda não o tenha implantado.
b) Estimular seus freqüentadores, em particular a família do viciado em tratamento, à prática do Evangelho no Lar. Estas pequenas reuniões, quando realizadas com o devido envolvimento e sinceridade de propósitos, são fontes sublimes de socorro às entidades sofredoras, além, naturalmente, de concorrer para o estreitamento dos laços afetivos familiares, o que decerto estimulará o viciado, por exemplo, a perseverar no seu propósito de libertar-se das drogas ou a dar o primeiro passo nesse sentido.
c) Preparar devidamente seu corpo mediúnico para o sublime exercício da mediunidade com Jesus, condição essencial ao socorro às vitimas das drogas, até mesmo as desencarnadas.
v
d) No diálogo fraterno com o viciado e seus familiares, sejam-lhes colocados à disposição os recursos socorristas do tratamento espiritual: passe, desobsessão, água fluidificada e reforma íntima.
v
e) Criar, no trabalho assistencial da Casa, uma atividade que enseje o diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, com fundamentação doutrinária, ao viciado e a seus familiares.
Conclusão
Diante dos fatos e dos acontecimentos que estão e envolver a criatura humana, enredada no vício das drogas, geradores de tantas misérias morais, sociais, suicídios e loucuras, nós, espíritas, não podemos deixar de considerar esta realidade, nem tampouco deixar de concorrer para a erradicação deste terrível flagelo que hoje assola a Humanidade.
Nesse sentido, urge que intensifiquemos e aprimoremos, cada vez mais, as ações de ordem preventiva e terapêutica, já em curso em nossas Instituições, e que, também, criemos outros mecanismos de ação mais específicos neste campo, sempre em sintonia com os ensinamentos do Espiritismo e seu propósito de bem concorrer para a ascenção espiritual da criatura humana às faixas superiores da vida.
Bibliografia:
1. O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR - Léon Denis, Ed. FEB, 1/1995
2. O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec, Ed. FEB, 2/1994, itens citados.
3. Revista REFORMADOR - Xerxes Pessoa de Luna - FEB, Março de 1998, pág. 86 e 87.
4. ENTRE A TERRA E O CÉU, de André Luiz/F.C.Xavier, Ed. FEB, 17a edição, 5/1997.
5. MISSIONÁRIOS DA LUZ, de André Luiz/F.C.Xavier, Ed. FEB, 30a edição, 8/1998.